Causas, sintomas e tratamento da cefaleia. Abordamos os tipos de cefaleia primária e secundária, cefaleias explosivas, agudas, subagudas e crónicas, cefaleia em salvas e cefaleia tensional. Tratamentos naturais, médicos e alternativos.


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Conheça a cefaleia do tipo tensional

Cefaleia do tipo tensional, é o tipo mais comum de dor de cabeça. Seu nome indica o papel do estresse e conflito mental ou emocional no desencadeamento da dor e contração dos músculos do pescoço, face, couro cabeludo, e mandíbula. 
Cefaleia tensional também pode ser causada por aperto da mandíbula, intenso trabalho, refeições perdidas, depressão, ansiedade, ou muito pouco sono. A apneia do sono pode também provocar cefaleia tensional, especialmente na parte da manhã. A dor é geralmente ligeira a moderada e sente-se como se uma pressão constante fosse aplicada à frente da face, na cabeça ou no pescoço. Também pode sentir-se uma sensação de que um cinto está sendo apertado em volta da cabeça. Na maior parte dos casos, a dor é sentida em ambos os lados da cabeça. As pessoas que sofrem de cefaleia tensional também podem sentir-se excessivamente sensíveis à luz e som, mas não há aura pré-cefaleia como no caso da enxaqueca. Normalmente, a cefaleia tensional desaparece, uma vez que o período de estresse ou causa relacionada terminou. Cefaleia tensional afeta as mulheres um pouco mais frequentemente do que os homens. As cefaleias geralmente começam na adolescência e alcançam um pico de atividade por volta dos 30 anos. A cefaleia não têm sido associada a hormonas e não têm uma forte ligação hereditária. Existem duas formas de cefaleia do tipo tensional:
- Episódicas, que são cefaleia do tipo tensional que ocorrem entre 10 e 15 dias por mês, e em que cada ataque dura entre 30 minutos a vários dias. Embora a dor não seja incapacitante, a gravidade da dor normalmente aumenta com a frequência de ataques.
- Ataques de cefaleia do tipo tensional crônica, que geralmente ocorre mais de 15 dias por mês durante um período de 3 meses. A dor, que pode ser constante ao longo de um período de dias ou meses, ataca ambos os lados da cabeça e é mais grave e incapacitante que a cefaleia episódica. Cefaleia tensional crônica pode causar dor no couro cabeludo, e mesmo pentear o cabelo pode ser doloroso. 
A maior parte das pessoas terá tido alguma forma de cefaleia do tipo tensional episódica antes do início da cefaleia do tipo tensional crônica.
Depressão e ansiedade podem causar cefaleia tensional. Cefaleias podem aparecer na parte da manhã ou início da noite, quando se antecipam conflitos no trabalho ou em casa. Outras causas incluem posturas físicas que esticam os músculos da cabeça e pescoço (como segurar o queixo para baixo durante a leitura ou segurar um telefone entre o ombro e a orelha), artrite degenerativa do pescoço, e disfunção da articulação temporo mandibular (uma doença das articulações entre o osso temporal, localizado acima da orelha e da mandíbula, ou osso maxilar inferior). O primeiro passo para tratar uma cefaleia tensional envolve o tratamento de qualquer doença específica que esteja a causar esta condição. Por exemplo, a artrite do pescoço é tratada com medicação anti-inflamatória e disfunção da articulação temporomandibular pode ser tratada por dispositivos corretivos para a boca e mandíbula. Um estudo do sono pode ser necessário para detectar a apnéia do sono e deve ser considerado quando existe uma história de ronco, sonolência diurna, ou obesidade. Um médico pode sugerir o uso de analgésicos, fármacos anti-inflamatórios não esteróides ou anti-depressivos para o tratamento de uma cefaleia do tipo tensional, que não esteja associada com uma doença. Drogas triptano, barbitúricos (medicamentos que têm um efeito relaxante ou sedativo) e derivados da ergotamina podem fornecer alívio para pessoas que sofrem de enxaqueca e cefaleia do tipo tensional.
Terapias alternativas para cefaleia do tipo tensional crônica incluem biofeedback, treinamento de relaxamento, meditação e terapia cognitivo-comportamental para reduzir o stress. Um banho quente ou calor húmido aplicado na parte de trás do pescoço pode aliviar sintomas de dores de cabeça tensionais frequentes. A fisioterapia, massagem e exercícios suaves do pescoço também podem ser úteis.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Como diagnosticar uma cefaleia

Como, e em que circunstâncias uma pessoa experimenta uma cefaleia, pode ser a chave para diagnosticar a causa. Manter um diário de cefaleia pode ajudar o médico a diagnosticar melhor o seu tipo de cefaleia e determinar o melhor tratamento. Depois de cada cefaleia, anote a hora do dia em que ocorreu; sua intensidade e duração; qualquer sensibilidade à luz, odores, ou som. Anote ainda a atividade que estava a promover imediatamente antes de surgir a cefaleia; uso de medicamentos prescritos e não prescritos; quantidade de sono na noite anterior; quaisquer condições estressantes ou emocionais; qualquer influencia do tempo ou atividade diária; alimentos e líquidos consumidos nas últimas 24 horas; e qualquer condição de saúde conhecida na altura. As mulheres devem registrar os dias de seus ciclos menstruais e incluir notas sobre outros membros da família que tenham uma história de cefaleia ou outra desordem. Um padrão pode surgir, que pode ser útil para reduzir ou prevenir a cefaleia.
Uma vez que o seu médico reveja o seu histórico médico, constate a sua cefaleia, e realize um exame físico e neurológico, exames de laboratório e testes de diagnóstico podem ser solicitados para excluir ou identificar as condições que podem ser a causa de cefaleia.
Exames de sangue e de urina podem ajudar a diagnosticar infeções do cérebro ou medula espinhal, danos nos vasos sanguíneos, e toxinas que afetem o sistema nervoso. O teste de uma amostra do fluido que rodeia o cérebro e medula espinal pode detetar infeções, hemorragias cerebrais, e medir qualquer acumulação de pressão no interior do crânio. Diagnóstico por imagem, como a tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (MRI), pode detetar irregularidades nos vasos sanguíneos e ossos, certos tumores e cistos cerebrais, danos cerebrais por traumatismo craniano, hemorragia cerebral, inflamações, infeções e outras doenças . Neuroimagem também providencia aos médicos uma forma de ver o que está acontecendo no cérebro durante crises de cefaleia. Um eletroencefalograma (EEG) mede a atividade das ondas cerebrais e pode ajudar a diagnosticar tumores cerebrais, convulsões, lesões na cabeça, e inflamação que pode levar a dores de cabeça.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Em caso de cefaleia, quando deve consultar um médico

Nem toda a cefaleia ou dor de cabeça requer atenção de um médico.
Mas a cefaleia ou dor de cabeça pode sinalizar uma doença mais grave que requer cuidados médicos imediatos. Chame imediatamente, ou consulte um médico, se você ou alguém perto de si experimentar algum destes sintomas:
• Dor de cabeça súbita, intensa que pode ser acompanhada de um torcicolo;
• Forte dor de cabeça acompanhada de febre, náuseas e vômitos, que não estejam relacionados com outra doença;
• A mais forte dor de cabeça, muitas vezes acompanhada de confusão, fraqueza, visão dupla ou perda de consciência;
• Dor de cabeça que piora com o tempo ao longo de dias ou semanas, ou que mudou de padrão ou comportamento;
• Retorno de dor de cabeça em crianças;
• Dor de cabeça na sequência de um ferimento na cabeça;
• Dor de cabeça e perda de sensibilidade ou fraqueza em qualquer parte do corpo, o que poderá ser um sinal de um acidente vascular cerebral;
• Dor de cabeça associada com convulsões;
• Dor de cabeça associada a falta de ar;
• Duas ou mais dores de cabeça por semana;
• Cefaleia persistente em pessoas que tenham sido previamente curadas da dor de cabeça, especialmente em pessoas com mais de 50 anos de idade;
• Novas cefaleias em pessoas com um histórico de câncer ou HIV/AIDS.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Entendendo a cefaleia

Você está sentado em frente à sua scretária, trabalhando numa tarefa difícil, quando de repente se sente como se um cinto estivesse sendo apertado em volta do topo de sua cabeça. Ou você tem dores de cabeça periódicas que ocorrem com náuseas e aumento da sensibilidade à luz ou som?
Talvez você esteja envolvido numa tarefa de rotina não-estressante quando você é surpreendido com uma dor na cabeça ou no pescoço.
Isto soa de modo familiar?
Se assim for, você já sofreu um dos muitos tipos de cefaleia que podem ocorrer isoladamente ou como parte de uma outra doença ou condição de saúde. 
Qualquer pessoa pode experiência uma cefaleia. Quase 2 em cada 3 crianças terão uma cefaleia por volta dos 15 anos de idade. Mais de 9 em cada 10 adultos vai experimentar uma cefaleia em algum momento de sua vida. 
Cefaleia é a forma mais comum de invocar dor de cabeça, sendo um dos principais motivos citados para dias perdidos no trabalho ou na escola, bem como visitas ao médico. Sem tratamento adequado, a cefaleia pode ser grave e interferir com as atividades diárias.

Certos tipos de cefaleia funcionam nas famílias. Os episódios de cefaleia podem aliviar ou mesmo desaparecer por um tempo e reaparecer mais tarde durante a vida. É possível que haja mais do que um tipo de cefaleia ao mesmo tempo.
Cefaleias primárias ocorrem de forma independente e não são causadas por outra condição médica.
É incerto o que define o processo de desenvolvimento de uma cefaleia primária. A cascata de acontecimentos que afetam os vasos sanguíneos e os nervos no interior e no exterior da cabeça provoca sinais de dor que são enviados para o cérebro. Produtos químicos do cérebro chamados neurotransmissores estão envolvidos na criação de cefaleia, assim como as mudanças na atividade das células nervosas (chamadas de depressão alastrante cortical). Enxaqueca e cefaleia do tipo tensional são os tipos mais familiares de cefaleia primária. 
Cefaleias secundárias são sintomas de um outro transtorno de saúde que faz com que as terminações nervosas sensíveis à dor sejam pressionadas, puxadas ou empurradas para fora do lugar. Elas podem resultar de condições subjacentes, incluindo febre, infeção, uso excessivo de medicamentos, estresse ou conflito emocional, pressão alta, distúrbios psiquiátricos, lesão ou trauma na cabeça, acidente vascular cerebral, tumores e perturbações nervosas (neuralgia trigeminal particularmente, uma condição de dor crônica que afeta tipicamente um grande nervo de um lado da mandíbula ou do rosto). 
Cefaleia pode variar na frequência e gravidade da dor. Algumas pessoas podem sentir dores de cabeça, uma ou duas vezes por ano, enquanto outras podem sentir dores de cabeça mais de 15 dias por mês. 
Algumas cefaleias podem ser recorrentes ou durar semanas de cada vez. A dor pode variar desde ligeira a incapacitante e pode ser acompanhada por sintomas tais como náuseas ou aumento da sensibilidade ao ruído ou à luz, dependendo do tipo de cefaleia.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Cefaleia aguda na criança

A cefaleia aguda é aquela não sentida anteriormente pela criança e cuja intensidade se agrava rapidamente no decorrer de minutos ou horas. É uma condição clínica, onde a perícia do médico é avaliada, dada a grande incidência de causas graves. Na maioria das vezes, essa cefaleia é provocada por anormalidades estruturais do sistema nervoso ou outros sistemas, o que significa que frequentemente se trata de cefaleia secundária. Daí a grande importância da semiologia geral e neurológica para a elucidação de tais casos.
As causas mais frequentes de cefaleia aguda na infância são:
  • Sinusites, otites e mastoidites
  • Distúrbios dentários
  • Distúrbios oftalmológicos
  • Traumatismos cranianos
  • Hidrocefalia aguda
  • Hemorragia intracranianas
  • Meningites e encefalites
  • Hipertensão arterial
Conheça as causas da cefaleia
Conheça a classificação das cefaleias
Saiba como prevenir a cefaleia
Conheça todos os tipos de cefaleia e tratamentos adequados no índice de artigos sobre cefaleia

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Cefaleia nas crianças

A cefaleia é um dos sintomas mais frequentes da espécie humana e, na infância, uma das principais queixas, nas clínicas pediátrica e neuropediátrica.
Bille, em 1962 comprovou parte dessa assertiva através de estudo clássico, em que entrevistou cerca de nove mil crianças da cidade de Upsala, na Suécia. O autor obteve o relato de ao menos um episódio precedente de cefaleia, em 40% das crianças com sete anos de idade e em 75% dos adolescentes com quinze anos.
A cefaleia na infância apresenta um largo espectro de causas, desde as benignas, como a desencadeada pela febre, até condições clínicas de prognóstico reservado, como a secundária aos tumores e malformações vasculares cerebrais. Entre os dois extremos, encontram-se as cefaléias primárias, como exemplo a migrânea (enxaqueca) e a cefaleia tipo tensional, cada qual com o seu respectivo prognóstico.
A alta frequência do sintoma na infância, seu amplo espectro etiológico e dados recentes, que alertam para o uso abusivo de analgésicos para cefaleia nesta faixa etária, justificam a importância do estudo do tema, também, como um problema de saúde pública.
A abordagem das cefaleias na infância compreende não apenas a elucidação da(s) causa(s), mas, sobretudo, a orientação dos pais e da própria criança sobre a sua doença. Essa etapa é de grande importância, uma vez que os pais, muito frequentemente, suspeitando tão somente de causas graves, só se convencem do contrário após a realização de exames complementares, desnecessários e de alto custo.
O diagnóstico das cefaleias é fundamentalmente clínico, só eventualmente os exames complementares são solicitados para sua confirmação. O médico necessita, portanto, das informações detalhadas do paciente, sobre a dor. Daí a maior dificuldade observada no diagnóstico das cefaleias na infância, dadas as limitações encontradas na obtenção de tais informações.
A primeira característica clínica, a ser considerada para a definição etiológica das cefaleias, é o aspecto temporal. As cefaléias podem ser divididas em três principais categorias diagnósticas, aguda, crônica recorrente e crônica progressiva.

Conheça as causas da cefaleia
Conheça a classificação das cefaleias
Saiba como prevenir a cefaleia
Conheça todos os tipos de cefaleia e tratamentos adequados no índice de artigos sobre cefaleia

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Cefaleia por uso excessivo de medicamentos

Cefaleia por uso excessivo de medicamentos é uma cefaleia crônica que pode ocorrer em pacientes que sofrem de alguma cefaleia primária (especialmente migrânea). O uso excessivo de medicamentos é um importante fator de risco para aumento da frequência da cefaleia; pode haver piora de uma cefaleia episódica (menos de 15 dias por mês com cefaleia) progredindo para uma cefaleia crônica (mais de 15 dias por mês de cefaleia por um período mínimo de 3 meses). Os medicamentos de uso excessivo podem ser analgésicos comuns, analgésicos combinados, ergotamínicos, triptanos ou opióides, desde que tomados regularmente (>10 dias por mês). Cefaleia por uso excessivo de medicamentos é relatada em todo o mundo. Prevalência em estudos populacionais é entre 0,7% e 1,7% sendo variável em diferentes países. Cefaleia por uso excessivo de medicamentos parece ser mais frequente em mulheres do que em homens (pode ser pela maior prevalência de migrânea em mulheres). Há relatos de até 15% de prevalência em centros especializados em cefaleia. A prevalência de Cefaleia por uso excessivo de medicamentos depende fortemente dos critérios diagnósticos utilizados. A cefaleia de base mais frequente nos pacientes com Cefaleia por uso excessivo de medicamentos é a migrânea. Em centros especializados, dentre os pacientes com cefaleia diária, Cefaleia por uso excessivo de medicamentos é umas das causas mais frequentes sendo tal diagnóstico considerado em cerca de 50% dos casos. Pacientes com Cefaleia por uso excessivo de medicamentos tem mais chance de ter uma renda menor bem como de ter nível educacional mais baixo do que a população geral. A frequência do uso excessivo de medicamento foi maior em imigrantes provenientes de países do sul e leste europeu e mais na primeira geração de imigrantes que na segunda geração. É descrito que as consequências da cefaleia é maior em pacientes com Cefaleia por uso excessivo de medicamentos, o que leva a uma pior qualidade de vida. Pacientes com outros quadros de dor (dor crônica músculo-esquelético, doenças reumatológicas) também podem desenvolver cefaleia por uso excessivo de medicamentos devido a ingestão diária de analgésicos, especialmente se tais pacientes já tiverem história de cefaleia primária.
Cefaleia por uso excessivo de medicamentos pode ser causada pela ingestão de:
  • Analgésicos comuns (ibuprofeno, acetaminofeno/paracetamol, ácido acetilsalisílico, metamizol e outros)
  • Ergotamínicos
  • Analgésicos combinados (contendo cafeína, barbitúricos e outras substâncias adicionadas a analgésicos simples)
  • Triptanos
  • Opióides
O risco de desenvolvimento da cefaleia é diferente para as diferentes substâncias e parece ser maior com ergotamínicos, opióides, triptanos e analgésicos combinados em comparação aos analgésicos simples. A fisiopatologia da Cefaleia por uso excessivo de medicamentos ainda não está claramente compreendida. Sensibilização central, fatores genéticos, alterações endócrinas e mecanismos psicológicos (estratégias de lidar com a dor, aprendizado e fatores comportamentais) podem estar envolvidos. Na Cefaleia por uso excessivo de medicamentos secundária a medicamentos psicotrópicos (barbitúricos, opióides ou cafeína) outros fatores também podem exercer algum papel fisiopatológico. No entanto, na maioria dos casos, o abuso de medicamento não é uma drogadição/vício a determinada substância. Migrânea é a cefaleia primária subjacente mais comum na Cefaleia por uso excessivo de medicamentos. Pacientes com cefaleia por uso excessivo de medicamentos referem seu primeiro episódio de cefaleia mais precocemente na vida que pacientes migranosos que não têm Cefaleia por uso excessivo de medicamentos. Critérios diagnósticos e diagnóstico diferencial da Cefaleia por uso excessivo de medicamentos foram estabelecidos pela Sociedade Internacional de Cefaleia. Houve mudanças na definição da Cefaleia por uso excessivo de medicamentos ao longo dos anos e numerosas publicações discutem seus diversos aspectos. Características clínicas da cefaleia primária sofrem alterações quando o uso excessivo, ou abuso, de medicações se mantém. A cefaleia bilateral é mais freqüente (comparada com a migrânea, mais unilateral). A dor é em aperto ou em pressão não sendo tipicamente pulsátil, como na migrânea.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A Cefaléia primária do exercício

Com prevalência de 1% apenas, é uma cefaléia holocranial, pulsátil, com duração de 5 minutos a 48 horas e associada a qualquer tipo de exercício físico (exceto a tosse, embora estes dois tipos possam coexistir).
Curiosamente, alguns pacientes sofrem desencadeamento da dor apenas por um tipo específico de esforço, como jogar futebol por exemplo, sem que esforços até comparativamente mais intensos associados a outro esporte provoquem qualquer tipo de cefaléia. Afeta mais homens de meia idade, ocorre mais facilmente em climas quentes ou em locais de altitude elevada, e perdura por alguns anos. Na ocorrência da primeira crise é mandatório investigar a possibilidade de hemorragia subaracnóide ou dissecção arterial. A angiografia por ressonância deve ser realizada para afastar a possibilidade de Síndrome de Vasoconstricção Cerebral Reversível (RCVS ou Síndrome de Call-Fleming). Aqui também a indometacina ou os betabloqueadores são indicados como profiláticos.

Cefaléia primária da tosse

Com prevalência de cerca de 1% em toda vida, se trata de uma cefaléia de início súbito, moderadamente intensa, tipicamente desencadeada pela tosse, espirro ou pela manobra de Valsalva. Predomina no sexo masculino. A dor é bilateral com duração de segundos a menos de 30 minutos. A etiologia ainda não foi elucidada, mas parece ter relação com curtos períodos de elevação da pressão intracranial. Um exame de ressonância magnética de crânio é necessário para se concluir se esta cefaléia é realmente primária, posto que cerca de 40% dos pacientes com cefaléia da tosse apresentam má formação de Arnold Chiari tipo I, doença vascular carotídea ou vertebral ou então aneurisma, meningiomas da fossa posterior, ou invaginação basilar secundária ou não a doença de Paget.
Os casos verdadeiramente primários podem apresentar boa resposta com a utilização profilática de indometacina, com doses que variam de 50 a 200mg/dia, pelo período de seis meses a quatro anos. O emprego de propranolol, acetazolamida, metisergida, naproxeno ou (mais recentemente) topiramato, são opções terapêuticas válidas. A punção lombar com retirada de até 40 ml de líquido cefalorraquidiano já foi descrito como alternativa para a solução do problema.
A cefaléia do espirro (“esternutodínia” ou “ptarmicalgia”) surge com o espirro, e deve fazer-nos lembrar sempre da malformação de Arnold-Chiari.

Cefaleia em trovoada primária

A cefaléia em trovoada primária, é um tipo raro de cefaléia (43 por 100.000 pacientes), caracterizada por um início super-agudo – menos de 30 segundos – de violenta cefaléia, que pode perdurar de 1h até 10 dias.
A cefaléia em trovoada primária assemelha-se às formas secundárias, o que obriga a investigação diagnóstica com exames complementares. Alguns autores consideram que a cefaléia em trovoada primária nada mais é do que a forma secundária sem que se tivesse ainda descoberto a causa.
Hemorragia subaracnóide é a etiologia mais freqüente da cefaléia em trovoada secundária, embora outras causas também possam desencadeá-la, como dissecção de artéria carótida, apoplexia pituitária, trombose de seios venosos, hipotensão intracranial idiopática, cisto colóide do III ventrículo e angeite do sistema nervoso central. A Síndrome de Vasoconstricção Cerebral Reversível, uma condição subdiagnosticada, é das causas mais frequentes de cefaléia em trovoada. A dor é intensa, bilateral, atinge o ápice em menos de um minuto e tende a começar na região posterior. Cefaléias em trovoada recorrentes são praticamente patognomônicas de Síndrome de Vasoconstricção Cerebral Reversível.
Oitenta por cento dos pacientes refere algum desencadeante, como exercício, sexo, evacuação, emoções, tosse, espirro ou banho, entre outros. A cefaléia pode vir acompanhada de sinais neurológicos focais ou crises convulsivas. A angiografia mostra contrações segmentares das artérias intracerebrais. Mulheres são ligeiramente mais acometidas, sendo de 60% dos casos são secundários. A cefaléia é muito intensa e tende a melhorar com nimodipina.

Prevenir a cefaleia

Tente manter um diário, para descobrir o que desencadeia a sua dor de cabeça. Ao evitar esses desencadeadores poderá reduzir o número de ocorrências.
Respirar fundo, relaxamento e exercício regular podem manter os níveis de stress baixos e reduzir a probabilidade de ter dores de cabeça. As dores de cabeça podem ser um sintoma de depressão. Se estiver com depressão, deve consultar o seu médico de família, que poderá receitar medicamentos para a depressão. Isso poderá evitar ou reduzir a frequência das dores de cabeça. Se tiver cefaleias histamínicas, não beba álcool quando estas acontecem, pois podem piorar. No entanto, o álcool não parece ser um desencadeador deste tipo de dores de cabeça. Também deve tentar evitar substâncias de odor forte, como gasolina e solventes, e evitar fazer exercício quando está muito calor.

Tratamento da cefaleia tipo tensional e cefaleias histamínicas

Normalmente pode tratar as cefaleias de tipo tensional com técnicas de relaxamento e analgésicos fracos. Um analgésico como o paracetamol costuma ajudar a aliviar a dor. É melhor tomar uma dose inteira assim que começar a dor de cabeça, e outra dose quatro horas mais tarde, se necessário. Deve sempre seguir as instruções da embalagem.

As cefaleias histamínicas não respondem a analgésicos sem receita médica. Um medicamento chamado sumatriptano é usado muitas vezes para tratar este tipo de dores de cabeça. Funciona ao interferir com um químico do cérebro chamado 5HT. Pensa-se que a alteração deste químico está ligada às cefaleias histamínicas e às enxaquecas. O sumatriptano só deve ser tomado se recomendado pelo seu médico de família. Outros medicamentos, como o verapamil ou o lítio, não foram feitos especificamente para as dores de cabeça, mas poderão ser-lhe receitados se precisar de um especialista (neurologista) para as cefaleias histamínicas.

Causas das cefaleias tipo tensional e cefaleias histamínicas

A causa das cefaleias tipo tensional não é clara. Pensa-se que é desencadeada por vários factores. Por exemplo, podem ocorrer mediante a diminuição da quantidade de um químico do corpo chamado serotonina. Stress, uma postura errada, esforçar-se para ler ou luzes fortes podem aumentar as probabilidades de dores de cabeça. Algumas mulheres sentem que as dores de cabeça estão ligadas à menstruação. Também pode ter dores de cabeça de ressaca se parar de tomar analgésicos depois de os ter tomado diariamente.

Os médicos desconhecem a causa das cefaleias histamínicas. Podem estar ligadas a uma parte do cérebro chamada hipotálamo, que controla o relógio corporal e isto pode explicar porque as dores de cabeça ocorrem na mesma altura do dia. Alguns desencadeadores das cefaleias histamínicas incluem o álcool substâncias com odor forte como gasolina, perfumes e solventes e aumentos extremos de temperatura.

Sintomas da cefaleia tipo tensional e cefaleias histamínicas

As cefaleias tipo tensional causam uma dor constante tipo pressão à volta da cabeça. Poderá sentir alguma pressão atrás dos olhos e tensão nos músculos do pescoço. A dor de cabeça não vem associada a náuseas, vómitos ou sensibilidade invulgar à luz ou ao som. Este tipo de dores de cabeça pode aumentar durante o dia e durar algumas horas, ou até mais.

No caso das cefaleias histamínicas, a dor é extremamente severa. Contudo, os ataques são geralmente curtos e duram uma hora ou duas, no máximo. A dor começa depressa e afecta um lado da cabeça, normalmente à volta do olho. O olho poderá ficar inflamado e poderá ter o nariz tapado no lado que lhe dói. Poderá sentir algumas dores de cabeça por dia, muitas vezes durante a mesma altura, e esta situação pode durar algumas semanas ou meses.

Cefaleia tipo tensional e cefaleias histaminicas

As cefaleias tipo tensional são comuns e muitas vezes causadas por stress. Este tipo de dor de cabeça ocorre normalmente uma ou duas vezes por mês e dura apenas algumas horas. Por vezes, as dores de cabeça mais persistentes podem durar alguns dias. Os sintomas típicos das cefaleias tipo tensional incluem uma dor constante em ambos os lados, tensão nos músculos do pescoço e uma sensação de pressão atrás dos olhos. Estas dores de cabeça tendem a afectar mais as mulheres do que os homens.

As cefaleias histamínicas afectam um lado da cabeça e podem ser bastante dolorosas. Muitas vezes perturbam o sono, fazendo com que acorde várias vezes durante a noite. O olho do lado afectado pode inflamar e poderá ficar com o nariz tapado desse lado. Este tipo de dores de cabeça é raro e tende a afectar mais os homens do que as mulheres.

Índice dos artigos relativos a CEFALEIA

Para se tornar mais fácil localizar os artigos deste blog relativos a tudo o que diz respeito a CEFALEIA, aqui fica um índice com todos os artigos:
  1. O que é cefaleia
  2. Tipos de cefaleia
  3. Como melhorar ou evitar sintomas da cefaleia, dor de cabeça
  4. Causas de cefaleia. dor de cabeça
  5. Tratamentos naturais da cefaleia, dor de cabeça
  6. Antidepressivos no tratamento da cefaleia
  7. Cefaleia em salvas
  8. Cefaleia tensional
  9. Tipos de dor de cabeça
  10. Diagnóstico da cefaleia
  11. Diagnóstico diferencial das cefaleias
  12. Principais recomendações no tratamento da cefaleia
  13. Tratamento de cefaleia tensional
  14. Tratamento da cefaleia em salva
  15. Classificação das cefaleias segundo a etiologia, o modo de instalação e a evolução
  16. Cefaleias primárias
  17. Cefaleias secundárias
  18. Cefaleias explosivas
  19. Cefaleias agudas
  20. Cefaleias subagudas
  21. Cefaleias crônicas
  22. Cefaleia tipo tensional e cefaleias histamínicas
  23. Sintomas da cefaleia tipo tensional e cefaleias histamímicas
  24. Causas das cefaleias tipo tensional e cefaleias histamínicas
  25. Tratamento da cefaleia tipo tensional e cefaleias histamínicas
  26. Prevenir a cefaleia
  27. Cefaleia em trovoada primária
  28. Cefaleia primária da tosse
  29. A cefaleia primária do exercicio

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Cefaleias crônicas

Cefaléias crônicas, são as que persistem por meses ou anos e, em geral, são primárias. Podem ser recidivantes, ocorrendo por período variável de tempo (minutos, horas, dias) para depois desaparecerem, reaparecendo algum tempo depois, como a migrânea, cefaléia em salvas, cefaléia tipo tensão esporádica e outras. Podem ser persistentes, aparecendo diariamente ou quase diariamente, por um período mínimo de quatro horas. A intensidade da dor deve permanecer mais ou menos a mesma no decorrer dos meses. São estas as características da cefaléia crônica diária, uma das que mais aparecem em consultórios médicos, especializados em cefaléia. O médico deve estar atento, nas cefaléias crônicas, para mudanças das características ou da intensidade da dor, pois podem indicar o aparecimento de cefaléia secundária associada.

Cefaleias subagudas

Cefaléias subagudas, instalação insidiosa, atingindo o ápice em dias ou poucos meses (até três meses). Ocorrem, principalmente, nas cefaléias secundárias, decorrentes de hematomas subdurais, tumores de crescimento rápido, meningites crônicas (fungo, tuberculose).

Cefaleias agudas

Cefaléias agudas, são as que atingem seu máximo em minutos ou poucas horas. Tanto as cefaléias primárias como as secundárias podem apresentar este tipo de instalação. Citamos, como exemplos, a migrânea, cefaléia de tensão, meningites, encefalites, hemorragias cerebrais não arteriais, sinusites agudas.

Cefaleias explosivas

Cefaléias explosivas, são as que surgem abruptamente, em fração de segundo, atingindo a intensidade máxima instantaneamente, às vezes, com o paciente se referindo a um estalo. Esta instalação sugere a ruptura de um aneurisma arterial intracraniano ou de outras malfomações vasculares. Existem, no entanto, tipos benignos de cefaléia que podem ter início dessa forma, a cefaléia orgásmica e a “thunderclap headache”.
Índice dos artigos relativos a Cefaleia