Causas, sintomas e tratamento da cefaleia. Abordamos os tipos de cefaleia primária e secundária, cefaleias explosivas, agudas, subagudas e crónicas, cefaleia em salvas e cefaleia tensional. Tratamentos naturais, médicos e alternativos.


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Cefaleia por uso excessivo de medicamentos

Cefaleia por uso excessivo de medicamentos é uma cefaleia crônica que pode ocorrer em pacientes que sofrem de alguma cefaleia primária (especialmente migrânea). O uso excessivo de medicamentos é um importante fator de risco para aumento da frequência da cefaleia; pode haver piora de uma cefaleia episódica (menos de 15 dias por mês com cefaleia) progredindo para uma cefaleia crônica (mais de 15 dias por mês de cefaleia por um período mínimo de 3 meses). Os medicamentos de uso excessivo podem ser analgésicos comuns, analgésicos combinados, ergotamínicos, triptanos ou opióides, desde que tomados regularmente (>10 dias por mês). Cefaleia por uso excessivo de medicamentos é relatada em todo o mundo. Prevalência em estudos populacionais é entre 0,7% e 1,7% sendo variável em diferentes países. Cefaleia por uso excessivo de medicamentos parece ser mais frequente em mulheres do que em homens (pode ser pela maior prevalência de migrânea em mulheres). Há relatos de até 15% de prevalência em centros especializados em cefaleia. A prevalência de Cefaleia por uso excessivo de medicamentos depende fortemente dos critérios diagnósticos utilizados. A cefaleia de base mais frequente nos pacientes com Cefaleia por uso excessivo de medicamentos é a migrânea. Em centros especializados, dentre os pacientes com cefaleia diária, Cefaleia por uso excessivo de medicamentos é umas das causas mais frequentes sendo tal diagnóstico considerado em cerca de 50% dos casos. Pacientes com Cefaleia por uso excessivo de medicamentos tem mais chance de ter uma renda menor bem como de ter nível educacional mais baixo do que a população geral. A frequência do uso excessivo de medicamento foi maior em imigrantes provenientes de países do sul e leste europeu e mais na primeira geração de imigrantes que na segunda geração. É descrito que as consequências da cefaleia é maior em pacientes com Cefaleia por uso excessivo de medicamentos, o que leva a uma pior qualidade de vida. Pacientes com outros quadros de dor (dor crônica músculo-esquelético, doenças reumatológicas) também podem desenvolver cefaleia por uso excessivo de medicamentos devido a ingestão diária de analgésicos, especialmente se tais pacientes já tiverem história de cefaleia primária.
Cefaleia por uso excessivo de medicamentos pode ser causada pela ingestão de:
  • Analgésicos comuns (ibuprofeno, acetaminofeno/paracetamol, ácido acetilsalisílico, metamizol e outros)
  • Ergotamínicos
  • Analgésicos combinados (contendo cafeína, barbitúricos e outras substâncias adicionadas a analgésicos simples)
  • Triptanos
  • Opióides
O risco de desenvolvimento da cefaleia é diferente para as diferentes substâncias e parece ser maior com ergotamínicos, opióides, triptanos e analgésicos combinados em comparação aos analgésicos simples. A fisiopatologia da Cefaleia por uso excessivo de medicamentos ainda não está claramente compreendida. Sensibilização central, fatores genéticos, alterações endócrinas e mecanismos psicológicos (estratégias de lidar com a dor, aprendizado e fatores comportamentais) podem estar envolvidos. Na Cefaleia por uso excessivo de medicamentos secundária a medicamentos psicotrópicos (barbitúricos, opióides ou cafeína) outros fatores também podem exercer algum papel fisiopatológico. No entanto, na maioria dos casos, o abuso de medicamento não é uma drogadição/vício a determinada substância. Migrânea é a cefaleia primária subjacente mais comum na Cefaleia por uso excessivo de medicamentos. Pacientes com cefaleia por uso excessivo de medicamentos referem seu primeiro episódio de cefaleia mais precocemente na vida que pacientes migranosos que não têm Cefaleia por uso excessivo de medicamentos. Critérios diagnósticos e diagnóstico diferencial da Cefaleia por uso excessivo de medicamentos foram estabelecidos pela Sociedade Internacional de Cefaleia. Houve mudanças na definição da Cefaleia por uso excessivo de medicamentos ao longo dos anos e numerosas publicações discutem seus diversos aspectos. Características clínicas da cefaleia primária sofrem alterações quando o uso excessivo, ou abuso, de medicações se mantém. A cefaleia bilateral é mais freqüente (comparada com a migrânea, mais unilateral). A dor é em aperto ou em pressão não sendo tipicamente pulsátil, como na migrânea.
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